segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

QUE NATAL? NATAL DE QUEM?

No dia 25 de Dezembro, em todo o Mundo, celebras-se a Festa do Natal.
Que Festa fazemos? Que atitudes tomamos? Será que muitas vezes não nos identificamos apenas com o que o poeta João Coelho dos Santos aqui nos apresenta?

Por que acho o poema lindo e profundo aqui o partilho com quem quiser servir-se.
Aníbal Carvalho

"NATAL DE QUEM?

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!

- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
-Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
-Foi este o Natal de Jesus?!!!"


(João Coelho dos Santos
in Lágrima do Mar - 1996)
O meu mais belo poema de Natal

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

NATAL - 2009

O Natal com todo o seu simbolismo e significado está quase a chegar.
O facto de o celebrarmos, independentemente da profundidade das nossas convicções religiosas, fazêmo-lo, por que acreditamos que estamos a prestar honra e culto ao seu aniversariante. Esse aniversariamente que mudou o percurso da História e que amou todos os homens por igual conferindo a todos eles a dignidade da Sua Humanidade, chama-se Jesus Cristo.
Será que nessa festa privilegiamos tudo e todos menos Ele? Será que não o deixamos entrar na festa do Seu próprio aniversário?
Parece que nos dias de hoje tudo é prioritário menos Ele.
Para pensarmos um pouco melhor nestas circunstâncias, deixo aqui este filme que ilustra claramente, na forma como muitas vezes transformamos a nossa festa de Natal.
A ser assim, é muito preocupante.

Que este Natal não seja assim.
Feliz Natal


Aníbal Carvalho





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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A mentira

Vivendo nós numa sociedade relativista e pós-moderna, muita gente vive de forma incoerente e meramente utilitarista, em que muitas vezes não se pensa nas consequências dos nossos actos. Daí que constantemente vejamos pessoas que mentem com o maior descaramento só para “salvarem a pele”, ou até por que já se habituaram de tal modo a isso, que o acto de mentir, faz parte da sua vida.
É habitual ouvirmos dizer que já não se pode confiar em ninguém. Ora isso é reflexo de tal comportamento. Os grandes exemplos vêm das classes de topo, muitos políticos, grandes gestores, banqueiros e afins.
Nos dias de hoje a mentira é cada vez mais uma triste realidade e é bom, que de quando em vez, pensemos nisto e tentemos perceber o que está por detrás de tal comportamento.
Vejamos o que nos diz Fernando Savater sobre a mentira:
“a mentira, ou seja a falsidade voluntariamente assumida e propagada, possui um parentesco necessário com a morte: ou, o que vem a ser o mesmo, provém dela e aproxima-nos dela. Provém da morte porque mentimos aos outros e a nós próprios por debilidade mortal, por timidez e temor face a pessoas ou circunstâncias que não consideramos capazes de enfrentar; mas mais tarde ou mais cedo, a mentira aproxima-nos da morte a que procuramos esquivar-nos, porque falseia os remédios precários que poderíamos procurar para os perigos que nos espreitam…
De facto, também se vive de ilusão, mesmo que por pouco tempo: porém, as mentiras são sempre, geralmente mais cedo ou mais tarde, o cunho anitvital da nossa destruição.”

Fernando Savater, A vida Eterna.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pensamentos de Regina Brett

Regina Brett é uma jornalista de 90 anos e que recebeu em Junho passado o prémio Liberty Bell Award do Metropolitan Cleveland Bar Association e Julho o prémio Silver Award da American Bar Association, pelos seus esforços para levar o Open Discovery para Ohio.

Com esta idade ainda tem uma lucidez extraordinária, mantendo uma publicação tri-semanal (Domingos, Quartas e Sextas-feiras) como colunista do The Plain Dealer, de Cleveland, Ohio.
Gente como esta é de admirar, e como tal, podemos com segurança seguir os seus ensinamentos, pois o seu passado não é recriminador mas desafiador, o seu presente não é angustiante mas feliz, pela vida vivida em cada momento. Só com perspectivas destas o futuro poderá ser risonho, seja para quem for.
Por que não fazermos o mesmo? Aqui deixo o desafio.
Para aceder ao Blog da autora aqui deixo o seu endereço:

http://www.cleveland.com/brett/blog/

Aníbal Carvalho

"Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me
ensinou.
É a coluna mais requisitada que eu já escrevi.
O meu taxímetro chegou aos 90 em Agosto, então aqui está a coluna mais uma
vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiveres em dúvida, apenas dá o próximo pequeno passo.
3. A vida é muito curta para perdermos tempo a odiar alguém.
4. O teu trabalho não vai cuidar de ti quando adoeceres. Os teus pais e amigos vão. Mantém o contacto.
5. Paga as tuas facturas do cartão de crédito todos os meses.
6. Tu não tens que vencer todos os argumentos. Concorda para discordar.
7. Chora com alguém. É mais curativo do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem se ficares danado com Deus. Ele aguenta.
9. Poupa para a reforma começando com o teu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, a resistência é em vão.
11. Sela a paz com o teu passado para que ele não estrague o teu presente.
12. Está tudo bem se os teus filhos te vêem chorar.
13. Não compares a tua vida com a dos outros. Tu não tens ideia do que se passa na vida deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, tu não deverias estar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não te preocupes, Deus nunca pisca.
16. Respira bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Desfaz-te de tudo o que não é útil, bonito e prazenteiro.
18. O que não te mata, realmente torna-te mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de ti e de mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que tu amas na vida, não aceites NÃO como resposta.
21. Acende velas, coloca lençóis bonitos, usa lingerie elegante. Não guardes para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepara-te bastante, depois deixa-te levar pela maré...
23. Sê excêntrico agora, não esperes ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela tua felicidade além de ti.
26. Encara cada "chamado desastre" com estas palavras: Em cinco anos, vai importar?
27. Escolhe sempre a vida.
28. Perdoa tudo a todos.
29. O que as outras pessoas pensam de ti não é da tua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dá tempo ao tempo.
31. Independentemente se a situação é boa ou má, irá mudar.
32. Não te leves tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredita em milagres.
34. Deus Ama-te por causa de quem Deus é, não pelo o que tu fizeste ou deixaste de fazer.
35. Não faças auditorias da tua vida. Aparece e faz o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que a alternativa: morrer jovem.
37. Os teus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa no final é que tu amaste.
39. Vai para a rua o dia todo. Milagres estão à espera em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos os nossos problemas numa pilha e víssemos os dos outros, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Tu já tens tudo o que precisas.
42. O melhor está para vir.
43. Não importa como tu te sintas, levanta-te, veste-te e aparece.
44. Produz.
45. A vida não vem embrulhada num laço, mas ainda é um presente!!!"

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

«Tiro ao crucifixo»

O Governo de Portugal que de "lábia" tem muito mas de coerência tem nada, quer maiorias para desgovernar ainda mais o país mas que à maioria das pessoas, após a caça ao voto humilha, explora e faz de conta que não existem, uma vez que se vira apenas, e só, para as minorias dos seus compadres. São as empresas nas quais coloca o seus "boys", são o apoio ao laicismo maçónico dos seus lacaios condenando tudo o que seja culto religioso da nossa cultura. Veja-se o que se está a preparar em relação à destruição do conceito de casamento para lhe dar o mesmo nome, mesmo quando envolve duas pessoas do mesmo género, para além daquilo que já se viu em relação ao aborto.
Por isso e tendo em atenção aquilo que se tem passado ultimamente no nosso país divulgo aqui este brilhante texto do P. Pedro Oliveira, de Marco de Canaveses.
Só assim é possível vermos a incoerência, a intolerância, o oportunismo e o respeito pela cultura e pela civilização da qual todos fazemos parte. No entanto, os que elaboram as leis aproveitam o que lhes convém, mesmo que para isso tenham que sacrificar a maioria da população.

Aníbal Carvalho

"O governo, na questão dos crucifixos, para ser realmente consequente, deveria, em nome do laicismo oficial, impedir os alunos de se benzerem antes dos testes.
Dessa forma o governo acabaria com a ideia ridícula de que crendices religiosas podem ajudar a ter boas notas, quando toda a gente sabe que os resultados escolares dependem da importância de apresentar boas estatísticas na OCDE.
Os professores receberiam também indicações claras para não usarem expressões como: «Oh valha-me Deus!» ou «Ai minha Nossa Senhora» dentro das instalações escolares.
Deveria ser pedido particular cuidado aos docentes para não proferirem interjeições com elementos cristãos quando se cruzem nos corredores com ateus ou membros de outras comunidades religiosas (mesmo que estes ameacem o professor com uma navalha de ponta-e-mola) para não afectar a sua especificidade cultural.
Eu sei, já lá vão quase 4 anos, mas vale a pena recordar um artigo publicado no Diário de Notícias de 2 de Dezembro 2005, por um elemento do Governo Sombra, João Miguel Tavares:
«Eu só quero que me expliquem isto: porque é que ter um crucifixo pendurado na parede de uma escola é uma ofensa à laicidade do Estado e um atentado à Constituição, e já não é uma ofensa à laicidade do Estado nem um atentado à Constituição o país inteiro prestar homenagem, através de um dia feriado, ao nascimento de Jesus (Natal), à morte de Jesus (Sexta-feira Santa), à ressurreição de Jesus (Páscoa), à celebração da Eucaristia (Corpo de Deus), aos santos e mártires da Igreja (Dia de Todos os Santos), à subida ao céu de Maria (Assunção de Nossa Senhora), e até ao facto de a mãe de Jesus, através de uma cunha de Deus, ter-se safado do pecado original no momento em que os seus pais a conceberam (Imaculada Conceição). Na próxima quinta-feira, dia 8 de Dezembro, o Estado português vai curvar-se alegremente diante de um dogma de alcofa inventado no século XIX por uma Igreja acossada pela secularização, mas até lá entretêm-se a subir ao escadote para remover cruzes de madeira, esses malvados instrumentos que instigam à conversão religiosa. Em Portugal, já se sabe, a lógica é uma batata. Por mim, podem limpar as escolas de todos os crucifixos, e, já agora, que se aproxima essa perigosa quadra para o laicismo do Estado chamada Natal, podem proibir também os presépios e até a apanha de musgo. A única coisa que me incomoda neste pequeno psicodrama é que o Ministério da Educação perca o seu tempo a expelir circulares muito legais, muito constitucionais e muito burras. O senhor que está pendurado nos crucifixos não é apenas um símbolo religioso - é também um símbolo civilizacional, que atravessa todo o Ocidente através da pintura, da literatura, da música, da arquitectura, do teatro, do cinema. Mais do que propaganda católica, o crucifixo faz parte da nossa identidade e é uma chave para compreender os últimos 21 séculos de História. Não tem a ver com fé. Não tem a ver com Deus. Tem a ver connosco.»

A intolerância é uma prova de falta de inteligência e de cegueira. E a demonstração de que a história e a tradição são desprezíveis para certas mentes, tal o ódio que destilam perante a Igreja. Mas como católicos, não é tanto de tolerância que temos necessidade, mas de respeito."

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A existência de Deus - Razões para desfrutar a vida

Este texto é da autoria de Juan A. Estrada, professor catedrático da Universidade de Granada - Espanha e foi publicado em 19.01.2009 .
Como achei o artigo extraordinariamente interessante e até desafiadior fiz a sua tradução para Português e coloco-a aqui à disposição de todos.
Aníbal Carvalho

“Provavelmente Deus não existe, por isso deixa de te preocupares e desfruta a vida”. Este anúncio surgiu com força, ainda que com pouca originalidade, pois é uma mera cópia do que têm dito, há algum tempo, os ingleses. Nem isto. Que inventam eles? Estamos habituados à propaganda religiosa e o seu contrário provoca agressividade. Crentes de todos os credos sentem-se ameaçados e até surpreendidos. Já se anunciam contra-réplicas. Mas a relatividade é perigosa e até vingativa. Pode cegar-nos pelas razões do outro. Numa palavra, que poderão aprender as pessoas religiosas com os ateus? Às vezes a crítica à religião pode contribuir para a melhorar, tal como aconteceu quando algumas entidades criticaram o cristianismo ao compararem -no com a doutrina dos direitos humanos.

Este “slogan” contrapõe a existência de Deus ao desfrutar a vida. É uma contestação contra a religião que sufoca, contra o código religioso baseado em recomendações, proibições e exigência de sacrifícios, contra o que acentua a negatividade da vida. Por que incomoda os cristãos se o Evangelho é uma Boa Nova? Jesus trouxe uma mensagem de esperança; curou, perdoou e aliviou o sofrimento; transmitiu desejo de viver e de lutar; anunciou uma salvação aqui e agora, para a vida, a vida do reino de Deus. Ninguém é capaz de acusar Jesus de obstaculizar a felicidade humana. O problema é que não ocorreu o mesmo com a religião cristã.

O moralismo e a doutrinação, a jurisdição do pecado e a proliferação de mandamentos e normas eclesiásticas tornaram a religião odiosa para muita gente. Nem todo o cristianismo se reduz a isto, mas este código impositivo faz parte da sua história. Ora os ateus que protestam contra ele, têm mais razão do que aqueles que aceitam o código religioso, ainda que lhes asfixie a vida, porque paradoxalmente é incompatível com o evangelho. A resposta a este “slogan” só pode ser o seu contrário, isto é, se Deus existe desfruta a vida em Cristo, ou seja a transformação do cristianismo actual na teoria e na prática.

Há que desfrutar a vida exista Deus ou não. O problema é que, o que entendemos por desfrutar a vida? Para muitos é o gozo de uma mistura entre o bem-estar material, hedonismo e sexualidade. Para outros isto não basta uma vez que é insuficiente e por isso é necessário buscar algo mais. Mas o quê? Amar e ser amado, partilhar e participar, contribuir na construção da justiça, da paz e da felicidade dos outros. A confrontação radical não está entre os ateus e os cristãos, mas entre os que colocam as metas da sua vida na mistura entre o dinheiro e sexo que domina as nossas sociedades, e os que de outro modo põem o acento nas relações pessoais, na justiça e fraternidade que derivam dela.
Segundo o que se entende por felicidade assim as classificamos. Ora isto não equivale a colocar os ateus contra os cristãos pois em ambos os grupos existe muita gente com códigos diferentes, tal como diz a perspectiva cristã, de que, “não são todos os que estão nem estão todos os que são”. O reino de Deus é maior que a Igreja e os critérios para determinar quem é cristão não são as práticas religiosas mas a atitude que temos perante os que têm fome, os doentes, os que sofrem, etc. (Mt 25, 31-46)
“Provavelmente Deus não existe”, é uma afirmação respeitosa, sem fanatismo nem radicalidade. Expressa o ponto de vista de muita gente, ainda que não seja a maioria. Está aberta ao diálogo, porque o provável (para mim), não é o certo e o seguro. Numa sociedade plural é preciso evitar os maximalismos agressivos em benefício da sã convivência de credos e religiões, de pessoas com visões diferentes. Na religiosidade ocidental há, por vezes, muita intransigência e fundamentalismo, tanto entre teístas como entre os ateus. Afirmar a própria postura implica agredir o que pensa diferente, o que é inimigo. Podia-se acrescentar e alguns acrescentam que, “provavelmente Deus existe” pois estão convencidos disso. O acreditar em Deus é compatível com dúvidas, perguntas e incertezas. O crente só pode testemunhar a sua fé, dar razões do sentido da sua vida que encontrou em Jesus Cristo. A partir disso pode interpelar o ateu, nada mais…..
Numa sociedade pós-cristã, a da morte de Deus, é bom que ressurja o debate. O pior não é o ateísmo humanista que protesta contra a religião opressora, mas a indiferença aos valores humanos que apregoa o Evangelho. Na história do cristianismo o seu grande inimigo não foi o ateísmo mas a idolatria, isto é absolutizar o dinheiro, o prestígio e o poder ao mesmo tempo que se faz disso modo e sentido da vida. Ora isso não diz respeito apenas aos ateus mas também têm sido algumas tentações típicas da Igreja e dos cristãos. Contra isto também protestam os que afirmam que provavelmente Deus não existe.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Prece

Céline Dion e Andrea Bocceli são dois dos melhores cantores da actualidade. Ora, quando se associam tão grandes dons para cantar juntos, a qualidade daí resultante é fantástica. Se a esta qualidade juntarmos conteúdo, então o resultado é quase divinal, tal como são as suas vozes.
É pois em homenagem a estas duas excelentes vozes e à mensagem que a canção contém que aqui deixo este vídeo, para que, quem a ouvir se possa deliciar tal como eu o fiz e se sinta conduzido interiormente pela prece.
Aníbal Carvalho
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A Galinha da Dona Gertrudes

A História que aqui apresento é do autor António Torrado. Por que ela é sinónimo de alguma ganância e megalomania, aspectos que, por vezes, nos fazem perder a cabeça e o resto, partilho-a com todos os leitores, com o devido agradecimento ao seu autor.
Aníbal Carvalho

"Aquele jornalista das perguntas, que já conhecem, foi entrevistar uma galinha, mas uma galinha especial. Propunha-se a cacarejante criatura entrar para o Guinness, o livro dos recordes. E a fazer o quê? A pôr um ovo de ouro? Não, que ideia, que vulgaridade. Essa é uma história muito antiga e já foi contada, há que tempos. O fito dela era outro. Teimava a galinácea que seria capaz de chocar de uma só vez trinta ovos e de fazer assim nascer, sem tirar nem pôr, trinta pintainhos, trinta irmãozinhos pipilantes, cor de gema de ovo. - Vai precisar de alguma preparação especial? - perguntou-lhe o jornalista, passando a cabeça por cima da rede do galinheiro. - Cacracá, cacracá, cacracá - respondeu-lhe a galinha. Queria ela dizer na dela que, estando choca, só precisava de muita paciência, porque a natureza faria o resto. - E tem a certeza que os ovos estão todos em condições de ser chocados? - insistiu o jornalista. Respondeu a galinha: - Cacracá, cacracá, cacracá. Ao que o galo da capoeira, muito senhor de si, acrescentou: - Cocrocó, cocrocó, cocrocó. O que ambos queriam dizer percebe-se. Estavam seguros, seguríssimos, da impecável qualidade dos ovos, dispostos para o choco. Quem os acondicionara no ninho, que a galinha cobria, tinha sido a Dona Gertrudes, dona da galinha, do galo e do galinheiro todo, onde também estanciavam outros bicos, patas e patos, peruas e perus, como se pertencessem à mesma família. - Em quanto está o último recorde? - quis saber o jornalista. - Consta-me que pertence a uma galinha australiana que deu à luz vinte e nove pintos, num único choco. Confirma? - Cacracá. A galinha confirmava. Estava bem informado o jornalista. Foi para o jornal e escreveu a notícia com o seguinte título: “Galinha portuguesa vai derrotar galinha australiana". Era um bocado exagero ou precipitação, mas este jornalista deixava-se levar pelo entusiasmo, que nem sempre é bom conselheiro de quem redige notícias. Lá que a galinha se esforçava ninguém duvida. Fazia-se leve e alargava as asas o mais que podia, para dar a todos os ovos calor por igual. Quando ela ia depenicar qualquer coisinha, o galo revezava-a no choco, o que não era desprimor nenhum. Os dias iam passando. No jornal, que era diário, o jornalista ia mantendo viva a atenção dos leitores. Já entrevistara por diversas vezes a Senhora Gertrudes, o marido da Senhora Gertrudes, vizinhos da Senhora Gertrudes e até tentara obter, em primeira mão, um depoimento do peru. - Glu, glu, glu - dissera-lhe ele, meneando a cabeça com alguma inquietação. Não era muito optimista o peru, o que se compreende. A aproximação do Natal trazia-o muito apreensivo. As cascas dos ovos começaram a estalar. O jornalista, avisado, trouxe fotógrafo para o grande acontecimento. Record mundial: “Trinta pintos para uma galinha", já via ele, em grossas letras, na primeira página. “Portugal derrota Austrália, no jogo da capoeira...", assim começaria a notícia. Afinal, não começou. Afinal, não derrotou. Ficaram empatados. Eu explico. Os pintainhos foram nascendo, um a um, a trocar o passo, molhados e tiritantes. Mal se desembaraçavam da casca, fugiam outra vez para o calor da mãe. O pai galo, enternecido, ia-os contando: - Cocrocó... Cocrocó... Cocrocó... Cocrocó... O jornalista e o fotógrafo e a Senhora Gertrudes e o marido da Senhora Gertrudes e os vizinhos e as vizinhas da Senhora Gertrudes também, em coro afinado, contavam: - ... Vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove... - Só falta um! Só falta um! - gritava, exaltado, o jornalista, que mais parecia um locutor de um relato de futebol. O residente do último ovo resistia. Ou fosse ele mais preguiçoso ou fosse a casca mais grossa, não havia meio. Finalmente... craque, craque, craque... partiu-se. E ouviu-se, à roda, um “Oh!" - de desapontamento geral. Não era um pinto, o que o último ovo escondia. Era um pato, um patinho vacilante, que logo foi esconder-se e juntar-se aos seus irmãos do choco. - Ai que troquei este ovo. Cabeça a minha! - exclamou a Senhora Gertrudes, dando uma palmada na testa. E foi assim que esta esforçada galinha não entrou no Guinness, o livro dos recordes. Dizem-me que está a ensaiar-se para nova tentativa! Ela e o galo, como não podia deixar de ser."

terça-feira, 7 de julho de 2009

Superação

Quase todos os dias nos queixamos das nossas limitações e retaliamos sobre os outros quando isso acontece. No entanto, há gente que sendo fisicamente limitada nos dá verdadeiras lições de como suplantar essas carências e fazem-no com verdadeira alegria, amor e muita arte. Essa arte custou-lhes muito esforço, muito sofrimento, muita dedicação e empenho.
Para eles a minha gratidão, por me mostrarem quão mesquinho eu sou, quando me queixo de situações que comparadas com outras são apenas um pequeno satélite no meio da infinitude do Universo.

Aníbal Carvalho
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Maravilhas Históricas de Portugal

Portugal ao longo dos séculos foi criando uma memória impar no seu património.
Hoje podemos verificar que, pelo menos alguns desses patrimónios, não estão tão bem preservados quanto isso. No entanto outros continuam a ser sinal do passado e, apesar de alguma desertificação de que o interior do país padece, projectam o futuro com esperança.
Porque o património nos ajuda a conhecer melhor quem somos aqui deixo a possibilidade de acederem a esse património, localizado nas Aldeias Históricas de Portugal.
Vejam como ficam bem informados. Eu fiquei.
Aníbal Carvalho

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Para onde vamos afinal?

Em 1974, o grande poeta e escritor Miguel Torga dizia no seu Diário, de 10 de Julho:

"O afinco com que esta civilização se quer desacreditar e destruir! Envergonhada, no fundo, da consciência que tem dos próprios pergaminhos, morbidamente apostada na denúncia casuística das suas motivações originais, tanto se desmistificou, tanta psicanálise fez de si, que acabou por ficar sem mitos, sem crenças, sem valores e sem pé na vida."

Hoje, passados mais trinta e cinco anos, como estamos?
Continuamos sem crenças, sem valores e sem pé para a vida.
Quanto tempo mais teremos de esperar?

Aníbal Carvalho

terça-feira, 7 de abril de 2009

Viver, é arriscar.

"Temer o amor é temer a vida, e aqueles que temem a vida já estão praticamente mortos."

( Bertrand Russell )

É urgente agir.

"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."

( Albert Einstein

quarta-feira, 1 de abril de 2009

As Crianças e o Amor

Como as crianças vêem o amor.

Muitas vezes, nós os adultos, temos medo e até vergonha de falar de amor. No entanto o amor é algo tão sublime e tão universal que todos o procuramos, ainda que, muitas vezes, o tratemos mal.
Não resisti a esta espantosa sabedoria sobre o amor manifestada por algumas crianças.
Como seríamos diferentes, e como o mundo seria melhor, se o víssemos com os mesmos olhos com que estas crianças o olham.
Com o devido respeito aqui deixo os seus testemunhos:

Aníbal Carvalho

Um grupo de profissionais colocou esta questão a um conjunto de crianças entre os 4 e os 8 anos: «Qual é o significado do amor?»
Vejamos as suas respostas:

«Quando a minha avó ficou com artrite, não se podia dobrar para pintar as unhas dos dedos dos pés. Portanto o meu avô faz sempre isso por ela, mesmo quando apanhou, também, artrite nas mãos. Isso é o amor.»Rebeca, 8 anos

«Quando alguém te ama, a maneira como pronuncia o teu nome é diferente. Tu sentes que o teu nome está seguro na boca dessa pessoa.» Billy, 4 anos

«O amor é quando uma rapariga põe perfume e um rapaz põe colónia da barba e vão sair e se cheiram um ao outro.» Karl, 5 anos

«O amor é quando vais comer fora e dás grande parte das tuas batatas fritas a alguém, sem a obrigares a darem-te das dele.» Chrissy, 6 anos

«O amor é o que te faz sorrir quando estás cansado.» Terri, 4 anos

«O amor é quando a minha mamã faz café ao meu papá e bebe um golinho antes de lho dar, para ter a certeza de que o sabor está bom.» Danny, 7 anos

«O amor é estar sempre a dar beijinhos. E, depois, quando já estás cansado dos beijinhos, ainda queres estar ao pé daquela pessoa e falar com ela. O meu pai e a minha mãe são assim. Eles são um bocado nojentos quando se beijam.» Emily, 8 anos

«O amor é aquilo que está contigo na sala, no Natal, se parares de abrir os presentes e escutares com atenção.» Bobby, 7 anos

«Se queres aprender mais sobre o amor, deves começar por um amigo que odeies.» Nikka,
6 anos

«O amor é quando dizes a um rapaz que gostas da camisa dele e, depois, ele usa-a todos os dias.»
Noelle, 7 anos

«O amor é quando um velhinho e uma velhinha ainda são amigos, mesmo depois de se conhecerem muito bem.» (nem Sócrates, Descartes ou Freud diriam algo mais certo...)
Tommy, 6 anos

«Durante o meu recital de piano, eu estava no palco e sentia-me apavorada. Olhei para todas as pessoas que estavam a olhar para mim, e reparei no meu pai que estava a acenar-me e a sorrir. Era a única pessoa a fazer aquilo. O medo desapareceu» Cindy, 8 anos

«A minha mãe ama-me mais do que ninguém. Não vês mais ninguém a dar-me beijinhos para dormir.» Clare, 6 anos

«Amor é quando a mamã dá ao papá o melhor pedaço da galinha.» Elaine, 5 anos

«Amor é quando a mamã vê o papá bem cheiroso e arranjadinho e diz que ele ainda é mais bonito do que o Robert Redford.» Chris, 7 anos

«Amor é quando o teu cãozinho te lambe a cara toda, apesar de o teres deixado sozinho todo o dia.» Mary Ann, 4 anos

«Eu sei que a minha irmã mais velha me ama, porque me dá todas as roupas usadas e tem de ir comprar outras.» Lauren, 4 anos

«Quando amas alguém, as tuas pestanas andam para cima e para baixo e saem estrelinhas de ti.» (quanta arte!) Karen, 7 anos

«Amor é quando a mamã vê o papá na casa de banho e não acha isso indecente.» Mark, 6 anos

«Nunca devemos dizer 'Amo-te', a menos que seja mesmo verdade. Mas se é mesmo verdade, devemos dizer muitas vezes. As pessoas esquecem-se.» Jessica, 8 anos

E a última? O autor e conferencista Leo Buscaglia, falou de um concurso em que ele teve de ser júri. O objectivo era encontrar a criança mais cuidadosa.

A vencedora foi um rapazinho de quatro anos, cujo vizinho era um velhote que perdera recentemente a sua esposa. Depois de ter visto o senhor a chorar, o menino foi ao quintal do velhote, subiu para o seu colo e sentou-se. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, o rapazinho disse: «Nada, só o ajudei a chorar.»

sexta-feira, 27 de março de 2009

Lisboa no seu esplendor

Lisboa sempre Bela e Entusiasta, neste caso na luz do entardecer, transmite uma enorme beleza de cor e de som.

Não resisti a publicar este filme de uma beleza extrema sobre Lisboa.
Para o seu autor, que não conheço, os meus parabéns e sinceros agradecimentos.

Aníbal Carvalho
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sábado, 24 de janeiro de 2009

O valor da Vírgula (,)

A comunicação é um dos valores mais importantes da história da humanidade.
Ao longo dos tempos, os nossos antepassados, foram criando mecanismos práticos para que essa comunicação fosse um sucesso.
Nos dias de hoje não fugimos à regra, e todos nós temos um forte desejo de comunicação. É ela que nos permite criar a inter-pessoalidade, e é ela que nos faz tomar consciência da nossa humanidade.
Ora quando escrevemos para nos comunicarmos precisamos de dizer aos outros, através das pausas e da sonoridade, o que realmente pretendemos dizer.
Um dos elementos que tem muita importância nesse processo é o uso da vírgula.
Ora vejamos alguns exemplos existentes na língua portuguesa, para vermos como os sentidos poderão mudar radicalmente com a introdução, ou não, da respectiva vírgula.

Aníbal Carvalho

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode alterar o valor do seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso, só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

Detalhes Adicionais

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.
Nota: Como vê a virgula é coisa a não desprezar

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Aquecimento Global

Nos últimos anos temos visto, aqui e acolá, como o nosso Planeta está a reagir à forma desleixada como nos comportamos com ele.
Todos nós achamos que temos direito ao nosso conforto pessoal e disso não queremos abdicar. Se cada um faz isso, as empresas que mais não fazem do procurar o lucro, fazem muito pior e em quantidades exponenciais. Tudo junto faz com que o nosso querido Planeta comece a apresentar as sequelas de tal tratamento.
As que mais facilmente são visíveis têm a ver com as regularizações das estações do ano. Temos Verões cada vez mais quentes e Invernos cada vez mais frios, ou seja as amplitudes térmicas são cada vez maiores. Apesar do nosso país não ter grande propensão para sofrer dessas manifestações da natureza, constatamos que nalgumas zonas do globo, mas particularmente no golfo do México e no Mar das Caraíbas, aparecem cada vez com mais frequência e cada vez mais fortes, ciclones, tornados, tufões e outras manifestações da natureza.
Ora como poderemos inverter tudo isso? Está nas mãos de cada um agir. Não vale dizermos que não temos poder ou que o que fazemos não tem repercussão. Ora é sabido que o pouco que cada um pode fazer, se não for feito por ele próprio, fica por fazer.
É nesse sentido que apresento aqui este vídeo, que de uma forma muito clara, nos esclarece o que cada um pode fazer, para começar a inverter esta grave situação.
Se todos juntos dermos as mãos vamos conseguir, e assim impediremos que o nosso Planeta continue a caminhar para o abismo.
Esta é a Esperança da Humanidade, de outro modo será a sua aniquilação.

Aníbal Carvalho
video

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Um Belo Desafio para 2009. Aceite-o

Uma História que vale a pena conhecer e pôr em prática.
Parece-me que é um bom desafio para este NOVO ANO

*Queres ser feliz ou ter razão** ?**Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar em casa de uns amigos. A morada é nova, bem como o caminho que ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita.Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderão ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: - Se tinhas tanta certeza de que eu estava a ir pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais...E ela diz: - Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!MORAL DA HISTÓRIA:Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não. Desde que ouvi esta história, tenho-me perguntado com mais frequência: 'Quero ser feliz ou ter razão?' Outro pensamento parecido, diz o seguinte: 'Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.'
Já agora, REFLICTA E DIVULGUE estes procedimentos, para ver se o mundo melhora... Eu já decidi...EU QUERO SER FELIZ e você?*
Aníbal Carvalho

domingo, 4 de janeiro de 2009

FELIZ 2009

Quando se entra num novo ano temos sempre muitas expectativas.
A primeira refere-se aquilo que correu mal no ano anterior não se repita. Depois desejamos, sobretudo coisas boas, que nos dêem conforto e bem-estar.
Digamos que tudo isto é legítimo.
Mas já vimos que normalmente só pedimos coisas para nós? E tirando a saúde e a paz, quase sempre pedimos coisas materiais?
Será que não acreditamos noutros valores que sejam mais importantes que as materialidades? É certo que precisamos de algumas coisas mas elas não poderão ofuscar aquilo que é mais importante no ser humano, que é a sua dignidade.
Quanto à saúde pouco depende de nós, a não ser o cuidado que possamos ter com o que comemos e bebemos. Quanto à paz podemos fazer muito, mas fazemos muito pouco, porque achamos que esses pedidos se referem sempre aos conflitos bélicos que normalmente andam longe de nós, e por isso, apesar de não gostarmos de guerras, parece que pouco nos incomodam sobretudo se estivermos longe delas.
Ora todos sabemos que cada um é um construtor da paz. E se assim for a paz é possível e deixará de haver guerras.
Muitos de nós desejamos a paz mas temos espírito de guerrilha. Por tudo e por nada, criamos conflito connosco e com os outros: é uma palavra mais azeda, é uma falta de tolerância ou de educação, é o nível de exigência para os outros e o laxismo para nós ou para os nossos, é a falta de profissionalismo em tantas circunstâncias da nossa vida que levam os colegas a um esforço suplementar e que pouco nos importa com isso, é o egoísmo exagerado e tantas outras pequenas coisas que, levam os que sofrem as consequências ao desespero, e com isso à revolta e ao conflito.
Poderíamos perguntar se aquilo que desejamos não estará nas nossas mãos e bastará fazermos algum esforço no dia a dia para que ele aconteça? No entanto achamos que é mais fácil ficarmos à espera que nos caia de “borla” e sem esforço, do que empenharmo-nos no sentido de conquistarmos as coisas. Ora quando tal não acontece lamentamo-nos e apregoamos aos quatro ventos a nossa infelicidade.
Assim, no dealbar deste novo ano, gostaria de desejar a cada um que ler este texto, a vontade e o desejo de tomar em suas mãos a conduta da sua vida e não fique à espera que as coisas aconteçam. Depois, desejaria que cada um de nós fosse capaz de se olhar primeiro a si, em cada acto, e só depois olhar para os outros. Com isso evitar-se-iam muitas culpabilizações.
Será que somos capazes?
Aqui fica o desafio. Um excelente 2009, e que cada um seja capaz de se auto-determinar e assumir-se de corpo inteiro.
Aníbal Carvalho