terça-feira, 8 de setembro de 2009

Prece

Céline Dion e Andrea Bocceli são dois dos melhores cantores da actualidade. Ora, quando se associam tão grandes dons para cantar juntos, a qualidade daí resultante é fantástica. Se a esta qualidade juntarmos conteúdo, então o resultado é quase divinal, tal como são as suas vozes.
É pois em homenagem a estas duas excelentes vozes e à mensagem que a canção contém que aqui deixo este vídeo, para que, quem a ouvir se possa deliciar tal como eu o fiz e se sinta conduzido interiormente pela prece.
Aníbal Carvalho

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A Galinha da Dona Gertrudes

A História que aqui apresento é do autor António Torrado. Por que ela é sinónimo de alguma ganância e megalomania, aspectos que, por vezes, nos fazem perder a cabeça e o resto, partilho-a com todos os leitores, com o devido agradecimento ao seu autor.
Aníbal Carvalho

"Aquele jornalista das perguntas, que já conhecem, foi entrevistar uma galinha, mas uma galinha especial. Propunha-se a cacarejante criatura entrar para o Guinness, o livro dos recordes. E a fazer o quê? A pôr um ovo de ouro? Não, que ideia, que vulgaridade. Essa é uma história muito antiga e já foi contada, há que tempos. O fito dela era outro. Teimava a galinácea que seria capaz de chocar de uma só vez trinta ovos e de fazer assim nascer, sem tirar nem pôr, trinta pintainhos, trinta irmãozinhos pipilantes, cor de gema de ovo. - Vai precisar de alguma preparação especial? - perguntou-lhe o jornalista, passando a cabeça por cima da rede do galinheiro. - Cacracá, cacracá, cacracá - respondeu-lhe a galinha. Queria ela dizer na dela que, estando choca, só precisava de muita paciência, porque a natureza faria o resto. - E tem a certeza que os ovos estão todos em condições de ser chocados? - insistiu o jornalista. Respondeu a galinha: - Cacracá, cacracá, cacracá. Ao que o galo da capoeira, muito senhor de si, acrescentou: - Cocrocó, cocrocó, cocrocó. O que ambos queriam dizer percebe-se. Estavam seguros, seguríssimos, da impecável qualidade dos ovos, dispostos para o choco. Quem os acondicionara no ninho, que a galinha cobria, tinha sido a Dona Gertrudes, dona da galinha, do galo e do galinheiro todo, onde também estanciavam outros bicos, patas e patos, peruas e perus, como se pertencessem à mesma família. - Em quanto está o último recorde? - quis saber o jornalista. - Consta-me que pertence a uma galinha australiana que deu à luz vinte e nove pintos, num único choco. Confirma? - Cacracá. A galinha confirmava. Estava bem informado o jornalista. Foi para o jornal e escreveu a notícia com o seguinte título: “Galinha portuguesa vai derrotar galinha australiana". Era um bocado exagero ou precipitação, mas este jornalista deixava-se levar pelo entusiasmo, que nem sempre é bom conselheiro de quem redige notícias. Lá que a galinha se esforçava ninguém duvida. Fazia-se leve e alargava as asas o mais que podia, para dar a todos os ovos calor por igual. Quando ela ia depenicar qualquer coisinha, o galo revezava-a no choco, o que não era desprimor nenhum. Os dias iam passando. No jornal, que era diário, o jornalista ia mantendo viva a atenção dos leitores. Já entrevistara por diversas vezes a Senhora Gertrudes, o marido da Senhora Gertrudes, vizinhos da Senhora Gertrudes e até tentara obter, em primeira mão, um depoimento do peru. - Glu, glu, glu - dissera-lhe ele, meneando a cabeça com alguma inquietação. Não era muito optimista o peru, o que se compreende. A aproximação do Natal trazia-o muito apreensivo. As cascas dos ovos começaram a estalar. O jornalista, avisado, trouxe fotógrafo para o grande acontecimento. Record mundial: “Trinta pintos para uma galinha", já via ele, em grossas letras, na primeira página. “Portugal derrota Austrália, no jogo da capoeira...", assim começaria a notícia. Afinal, não começou. Afinal, não derrotou. Ficaram empatados. Eu explico. Os pintainhos foram nascendo, um a um, a trocar o passo, molhados e tiritantes. Mal se desembaraçavam da casca, fugiam outra vez para o calor da mãe. O pai galo, enternecido, ia-os contando: - Cocrocó... Cocrocó... Cocrocó... Cocrocó... O jornalista e o fotógrafo e a Senhora Gertrudes e o marido da Senhora Gertrudes e os vizinhos e as vizinhas da Senhora Gertrudes também, em coro afinado, contavam: - ... Vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove... - Só falta um! Só falta um! - gritava, exaltado, o jornalista, que mais parecia um locutor de um relato de futebol. O residente do último ovo resistia. Ou fosse ele mais preguiçoso ou fosse a casca mais grossa, não havia meio. Finalmente... craque, craque, craque... partiu-se. E ouviu-se, à roda, um “Oh!" - de desapontamento geral. Não era um pinto, o que o último ovo escondia. Era um pato, um patinho vacilante, que logo foi esconder-se e juntar-se aos seus irmãos do choco. - Ai que troquei este ovo. Cabeça a minha! - exclamou a Senhora Gertrudes, dando uma palmada na testa. E foi assim que esta esforçada galinha não entrou no Guinness, o livro dos recordes. Dizem-me que está a ensaiar-se para nova tentativa! Ela e o galo, como não podia deixar de ser."

terça-feira, 7 de julho de 2009

Superação

Quase todos os dias nos queixamos das nossas limitações e retaliamos sobre os outros quando isso acontece. No entanto, há gente que sendo fisicamente limitada nos dá verdadeiras lições de como suplantar essas carências e fazem-no com verdadeira alegria, amor e muita arte. Essa arte custou-lhes muito esforço, muito sofrimento, muita dedicação e empenho.
Para eles a minha gratidão, por me mostrarem quão mesquinho eu sou, quando me queixo de situações que comparadas com outras são apenas um pequeno satélite no meio da infinitude do Universo.

Aníbal Carvalho

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Maravilhas Históricas de Portugal

Portugal ao longo dos séculos foi criando uma memória impar no seu património.
Hoje podemos verificar que, pelo menos alguns desses patrimónios, não estão tão bem preservados quanto isso. No entanto outros continuam a ser sinal do passado e, apesar de alguma desertificação de que o interior do país padece, projectam o futuro com esperança.
Porque o património nos ajuda a conhecer melhor quem somos aqui deixo a possibilidade de acederem a esse património, localizado nas Aldeias Históricas de Portugal.
Vejam como ficam bem informados. Eu fiquei.
Aníbal Carvalho

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Para onde vamos afinal?

Em 1974, o grande poeta e escritor Miguel Torga dizia no seu Diário, de 10 de Julho:

"O afinco com que esta civilização se quer desacreditar e destruir! Envergonhada, no fundo, da consciência que tem dos próprios pergaminhos, morbidamente apostada na denúncia casuística das suas motivações originais, tanto se desmistificou, tanta psicanálise fez de si, que acabou por ficar sem mitos, sem crenças, sem valores e sem pé na vida."

Hoje, passados mais trinta e cinco anos, como estamos?
Continuamos sem crenças, sem valores e sem pé para a vida.
Quanto tempo mais teremos de esperar?

Aníbal Carvalho

terça-feira, 7 de abril de 2009

Viver, é arriscar.

"Temer o amor é temer a vida, e aqueles que temem a vida já estão praticamente mortos."

( Bertrand Russell )

É urgente agir.

"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."

( Albert Einstein