Uma voz como poucas, no nosso país, que nem o tempo fez esquecer.
Zeca Afonso - A não perder
terça-feira, 20 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Duas Maravilhas
A Maravilha da Música (La Traviata de Verdi) associada à Beleza da Cor e do Movimento.
A não perder.
A não perder.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Liberdade
Entrevista ao Diário de Lisboa (24 de Outubro de 1945)
…
- Liberdade que é?
- Disciplina, consciência e autolimitação. E que ninguém nos venha com o papão do passado! O que todos querem é novo e limpo de mácula. Temos muito respeito pelos velhos, pela sua honradez, se a possuíram, pelos seus princípios, se os defenderam. Mas somos novos, estamos noutra volta do caminho, e ninguém, em boa consciência, nos deve acusar de pecados que não cometemos. Da mesma maneira que na palavra Mora o tempo vai depositando as suas conquistas, também no termo Democracia a experiência e a consciência tomam corpo. O que era bom em 10, pode ser mau em 40. Queremos do passado o sonho, o devotamento e a acção. Mas vamos juntar-lhe actualidade, técnica, e um conceito mais humano e dialéctico de encarar os problemas. Teremos a nossa ordem, que há-de precisar de pistolas da ordenança, e teremos as nossas realizações. Desejamos coisas simples e possíveis.
- ….E o povo…..
- Esse destino é?..
- O destino de todos os corpos vivos: crescer, multiplicar-se, procurar a felicidade, e deixar no seu caminho uma nítida e aberta marca de compreensão e de amor.
Miguel Torga - Diário
…
- Liberdade que é?
- Disciplina, consciência e autolimitação. E que ninguém nos venha com o papão do passado! O que todos querem é novo e limpo de mácula. Temos muito respeito pelos velhos, pela sua honradez, se a possuíram, pelos seus princípios, se os defenderam. Mas somos novos, estamos noutra volta do caminho, e ninguém, em boa consciência, nos deve acusar de pecados que não cometemos. Da mesma maneira que na palavra Mora o tempo vai depositando as suas conquistas, também no termo Democracia a experiência e a consciência tomam corpo. O que era bom em 10, pode ser mau em 40. Queremos do passado o sonho, o devotamento e a acção. Mas vamos juntar-lhe actualidade, técnica, e um conceito mais humano e dialéctico de encarar os problemas. Teremos a nossa ordem, que há-de precisar de pistolas da ordenança, e teremos as nossas realizações. Desejamos coisas simples e possíveis.
- ….E o povo…..
- Esse destino é?..
- O destino de todos os corpos vivos: crescer, multiplicar-se, procurar a felicidade, e deixar no seu caminho uma nítida e aberta marca de compreensão e de amor.
Miguel Torga - Diário
terça-feira, 22 de abril de 2008
A importância do Beijo
O ser humano é, por natureza, um ser eminentemente inter-relacional. Ele não vive só e necessita dos outros para atingir a plenitude da sua dimensão como pessoa humana. Cada um de nós é para os outros e os outros são-no para nós. É nesta interacção que construímos relações mais ou menos profundas, para que, através dessas proximidades, consigamos construir e viver as amizades, os amores, as famílias, as vizinhanças, as profissões e todas as outras relações em que se possam estabelecer comunicações.
Uma das formas de comunicar afectos é através do beijo.
Segundo a definição da Wikipédia, um beijo (do latim basium) é o toque dos lábios com qualquer coisa, normalmente uma pessoa. Na cultura ocidental é considerado um gesto de afeição. Entre amigos é utilizado como cumprimento ou despedida. O beijo nos lábios de outra pessoa é um símbolo de afeição romântica ou de desejo sexual.
Ainda segundo a mesma enciclopédia e outros documentos que abordam o assunto, parece que as primeiras referências ao beijo apareceram há cerca de 4.500 anos nas paredes de alguns templos na Índia. Diz-se que na antiga Mesopotâmia o povo tinha por hábito enviar beijos às divindades. Já mais próximo de nós, e sobretudo através das culturas que nos antecederam, as Greco-latinas, os seus membros guerreiros tinham por hábito utilizar o beijo, entre si, no regresso a casa após os combates.
Se bem que os gregos gostassem de utilizar o beijo nas suas práticas sociais, foram os romanos através das suas viagens expansionistas que o difundiram. Estou em crer que aquilo que hoje utilizamos na cultura ocidental, como cumprimento, se deve àquela difusão.
Os imperadores romanos permitiam que os nobres mais distintos pudessem beijá-los nos lábios. Os restantes nobres só o poderiam fazer nas mãos. Por sua vez a restante população, apenas poderia beijar os pés ao seu imperador.
Nestas formas de relação e comunicação existiam três tipos de beijos: o basium, entre conhecidos; o osculum, entre amigos; e o suavium, ou beijo dos amantes.
Os diferentes tipos de beijo foram evoluindo ao longo dos tempos e ganhando especificidades em quase todos os países. Assim, no nosso país e em quase toda a cultura ocidental, o beijo é uma forma de proximidade e afeição entre aqueles que o utilizam. Por isso, os amigos usam-no frequentemente para se cumprimentarem, ou se despedirem, sobretudo se existir algum tempo a separá-los. Entre os amantes e apaixonados, o beijo é utilizado como forma de demonstrar a sua paixão, expressa de forma mais ou menos arrebatada, por essa via.
É evidente que há outras formas de partilhar o beijo e com outros significados. Ainda há bem pouco tempo o beijo era usado, como por exemplo, em sinal de respeito ou até mesmo de reverência. Era o caso do cumprimento a uma autoridade eclesiástica, monárquica ou até uma distinta senhora.
Na nossa cultura popular existem aspectos muito relevantes em relação a este tipo de afectividade. Em muitas zonas do nosso país existe o ditado popular que diz que, ”quem os nossos filhos beija a nossa boca adoça”. Esta visão é bem reveladora da importância deste tipo de afecto para que as crianças que vão crescendo possam, gradualmente, ir absorvendo a afectividade dos outros humanos. Ora este gesto é muito bem visto e reconhecido pelos adultos através da gratidão e de bem-estar que lhes provoca.
O acto de beijar estabelece uma forma de linguagem muito próxima e expressiva, e utiliza, em simultâneo, três sentidos: o tacto (porque toca), o olfacto (cheira através da proximidade) e o paladar (pelo gosto que lhe poderá estar associado). Estes três sentidos produzem, só por si, uma reacção emocional bastante forte, ora se os juntarmos todos ao mesmo tempo, ela poderá ser explosiva. No entanto o beijo também pode ser fugaz e pouco expressivo. Entre as duas versões situam-se todas as outras que se possam ou queiram utilizar, de acordo com as circunstâncias e as afinidades de cada um.
Já agora, e costuma dizer-se como mera curiosidade que o acto de beijar pode levar à utilização de 29 músculos e provocar no coração batidas que poderão ir até às 150 por minuto. Com tanta emoção que o beijo pode produzir, ele é capaz de levar ao desgaste de 12 calorias de cada vez que é dado. Pois bem, aqui está uma boa metodologia para emagrecer e ao mesmo tempo, com ele podem eliminar-se muitos males, pois só beija quem se quer bem, a não ser que sejamos alguns “Judas”, usando o beijo como traição e não como vivência de afecto, de proximidade, de ternura, de amizade e de amor.
Aníbal Carvalho
Uma das formas de comunicar afectos é através do beijo.
Segundo a definição da Wikipédia, um beijo (do latim basium) é o toque dos lábios com qualquer coisa, normalmente uma pessoa. Na cultura ocidental é considerado um gesto de afeição. Entre amigos é utilizado como cumprimento ou despedida. O beijo nos lábios de outra pessoa é um símbolo de afeição romântica ou de desejo sexual.
Ainda segundo a mesma enciclopédia e outros documentos que abordam o assunto, parece que as primeiras referências ao beijo apareceram há cerca de 4.500 anos nas paredes de alguns templos na Índia. Diz-se que na antiga Mesopotâmia o povo tinha por hábito enviar beijos às divindades. Já mais próximo de nós, e sobretudo através das culturas que nos antecederam, as Greco-latinas, os seus membros guerreiros tinham por hábito utilizar o beijo, entre si, no regresso a casa após os combates.
Se bem que os gregos gostassem de utilizar o beijo nas suas práticas sociais, foram os romanos através das suas viagens expansionistas que o difundiram. Estou em crer que aquilo que hoje utilizamos na cultura ocidental, como cumprimento, se deve àquela difusão.
Os imperadores romanos permitiam que os nobres mais distintos pudessem beijá-los nos lábios. Os restantes nobres só o poderiam fazer nas mãos. Por sua vez a restante população, apenas poderia beijar os pés ao seu imperador.
Nestas formas de relação e comunicação existiam três tipos de beijos: o basium, entre conhecidos; o osculum, entre amigos; e o suavium, ou beijo dos amantes.
Os diferentes tipos de beijo foram evoluindo ao longo dos tempos e ganhando especificidades em quase todos os países. Assim, no nosso país e em quase toda a cultura ocidental, o beijo é uma forma de proximidade e afeição entre aqueles que o utilizam. Por isso, os amigos usam-no frequentemente para se cumprimentarem, ou se despedirem, sobretudo se existir algum tempo a separá-los. Entre os amantes e apaixonados, o beijo é utilizado como forma de demonstrar a sua paixão, expressa de forma mais ou menos arrebatada, por essa via.
É evidente que há outras formas de partilhar o beijo e com outros significados. Ainda há bem pouco tempo o beijo era usado, como por exemplo, em sinal de respeito ou até mesmo de reverência. Era o caso do cumprimento a uma autoridade eclesiástica, monárquica ou até uma distinta senhora.
Na nossa cultura popular existem aspectos muito relevantes em relação a este tipo de afectividade. Em muitas zonas do nosso país existe o ditado popular que diz que, ”quem os nossos filhos beija a nossa boca adoça”. Esta visão é bem reveladora da importância deste tipo de afecto para que as crianças que vão crescendo possam, gradualmente, ir absorvendo a afectividade dos outros humanos. Ora este gesto é muito bem visto e reconhecido pelos adultos através da gratidão e de bem-estar que lhes provoca.
O acto de beijar estabelece uma forma de linguagem muito próxima e expressiva, e utiliza, em simultâneo, três sentidos: o tacto (porque toca), o olfacto (cheira através da proximidade) e o paladar (pelo gosto que lhe poderá estar associado). Estes três sentidos produzem, só por si, uma reacção emocional bastante forte, ora se os juntarmos todos ao mesmo tempo, ela poderá ser explosiva. No entanto o beijo também pode ser fugaz e pouco expressivo. Entre as duas versões situam-se todas as outras que se possam ou queiram utilizar, de acordo com as circunstâncias e as afinidades de cada um.
Já agora, e costuma dizer-se como mera curiosidade que o acto de beijar pode levar à utilização de 29 músculos e provocar no coração batidas que poderão ir até às 150 por minuto. Com tanta emoção que o beijo pode produzir, ele é capaz de levar ao desgaste de 12 calorias de cada vez que é dado. Pois bem, aqui está uma boa metodologia para emagrecer e ao mesmo tempo, com ele podem eliminar-se muitos males, pois só beija quem se quer bem, a não ser que sejamos alguns “Judas”, usando o beijo como traição e não como vivência de afecto, de proximidade, de ternura, de amizade e de amor.
Aníbal Carvalho
sábado, 19 de abril de 2008
O Amor, Quando Se Revela
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
(Fernando Pessoa)
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
(Fernando Pessoa)
Pensamento do Dia - A importância dos amigos
“Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto.”
Francis Bacon
Francis Bacon
sexta-feira, 11 de abril de 2008
A insaciedade
Coimbra, 12 de Abril de 1951
No amor é como na morte: a gente pede mais um minuto de vida, convencido que depois renunciará de vez. E mal o minuto nos é concedido, já estamos a pedir outro.
Miguel Torga - Diário
No amor é como na morte: a gente pede mais um minuto de vida, convencido que depois renunciará de vez. E mal o minuto nos é concedido, já estamos a pedir outro.
Miguel Torga - Diário
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