A História que aqui apresento é do autor António Torrado. Por que ela é sinónimo de alguma ganância e megalomania, aspectos que, por vezes, nos fazem perder a cabeça e o resto, partilho-a com todos os leitores, com o devido agradecimento ao seu autor.
Aníbal Carvalho
"Aquele jornalista das perguntas, que já conhecem, foi entrevistar uma galinha, mas uma galinha especial. Propunha-se a cacarejante criatura entrar para o Guinness, o livro dos recordes. E a fazer o quê? A pôr um ovo de ouro? Não, que ideia, que vulgaridade. Essa é uma história muito antiga e já foi contada, há que tempos. O fito dela era outro. Teimava a galinácea que seria capaz de chocar de uma só vez trinta ovos e de fazer assim nascer, sem tirar nem pôr, trinta pintainhos, trinta irmãozinhos pipilantes, cor de gema de ovo. - Vai precisar de alguma preparação especial? - perguntou-lhe o jornalista, passando a cabeça por cima da rede do galinheiro. - Cacracá, cacracá, cacracá - respondeu-lhe a galinha. Queria ela dizer na dela que, estando choca, só precisava de muita paciência, porque a natureza faria o resto. - E tem a certeza que os ovos estão todos em condições de ser chocados? - insistiu o jornalista. Respondeu a galinha: - Cacracá, cacracá, cacracá. Ao que o galo da capoeira, muito senhor de si, acrescentou: - Cocrocó, cocrocó, cocrocó. O que ambos queriam dizer percebe-se. Estavam seguros, seguríssimos, da impecável qualidade dos ovos, dispostos para o choco. Quem os acondicionara no ninho, que a galinha cobria, tinha sido a Dona Gertrudes, dona da galinha, do galo e do galinheiro todo, onde também estanciavam outros bicos, patas e patos, peruas e perus, como se pertencessem à mesma família. - Em quanto está o último recorde? - quis saber o jornalista. - Consta-me que pertence a uma galinha australiana que deu à luz vinte e nove pintos, num único choco. Confirma? - Cacracá. A galinha confirmava. Estava bem informado o jornalista. Foi para o jornal e escreveu a notícia com o seguinte título: “Galinha portuguesa vai derrotar galinha australiana". Era um bocado exagero ou precipitação, mas este jornalista deixava-se levar pelo entusiasmo, que nem sempre é bom conselheiro de quem redige notícias. Lá que a galinha se esforçava ninguém duvida. Fazia-se leve e alargava as asas o mais que podia, para dar a todos os ovos calor por igual. Quando ela ia depenicar qualquer coisinha, o galo revezava-a no choco, o que não era desprimor nenhum. Os dias iam passando. No jornal, que era diário, o jornalista ia mantendo viva a atenção dos leitores. Já entrevistara por diversas vezes a Senhora Gertrudes, o marido da Senhora Gertrudes, vizinhos da Senhora Gertrudes e até tentara obter, em primeira mão, um depoimento do peru. - Glu, glu, glu - dissera-lhe ele, meneando a cabeça com alguma inquietação. Não era muito optimista o peru, o que se compreende. A aproximação do Natal trazia-o muito apreensivo. As cascas dos ovos começaram a estalar. O jornalista, avisado, trouxe fotógrafo para o grande acontecimento. Record mundial: “Trinta pintos para uma galinha", já via ele, em grossas letras, na primeira página. “Portugal derrota Austrália, no jogo da capoeira...", assim começaria a notícia. Afinal, não começou. Afinal, não derrotou. Ficaram empatados. Eu explico. Os pintainhos foram nascendo, um a um, a trocar o passo, molhados e tiritantes. Mal se desembaraçavam da casca, fugiam outra vez para o calor da mãe. O pai galo, enternecido, ia-os contando: - Cocrocó... Cocrocó... Cocrocó... Cocrocó... O jornalista e o fotógrafo e a Senhora Gertrudes e o marido da Senhora Gertrudes e os vizinhos e as vizinhas da Senhora Gertrudes também, em coro afinado, contavam: - ... Vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove... - Só falta um! Só falta um! - gritava, exaltado, o jornalista, que mais parecia um locutor de um relato de futebol. O residente do último ovo resistia. Ou fosse ele mais preguiçoso ou fosse a casca mais grossa, não havia meio. Finalmente... craque, craque, craque... partiu-se. E ouviu-se, à roda, um “Oh!" - de desapontamento geral. Não era um pinto, o que o último ovo escondia. Era um pato, um patinho vacilante, que logo foi esconder-se e juntar-se aos seus irmãos do choco. - Ai que troquei este ovo. Cabeça a minha! - exclamou a Senhora Gertrudes, dando uma palmada na testa. E foi assim que esta esforçada galinha não entrou no Guinness, o livro dos recordes. Dizem-me que está a ensaiar-se para nova tentativa! Ela e o galo, como não podia deixar de ser."
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
Superação
Quase todos os dias nos queixamos das nossas limitações e retaliamos sobre os outros quando isso acontece. No entanto, há gente que sendo fisicamente limitada nos dá verdadeiras lições de como suplantar essas carências e fazem-no com verdadeira alegria, amor e muita arte. Essa arte custou-lhes muito esforço, muito sofrimento, muita dedicação e empenho.
Para eles a minha gratidão, por me mostrarem quão mesquinho eu sou, quando me queixo de situações que comparadas com outras são apenas um pequeno satélite no meio da infinitude do Universo.
Aníbal Carvalho
Para eles a minha gratidão, por me mostrarem quão mesquinho eu sou, quando me queixo de situações que comparadas com outras são apenas um pequeno satélite no meio da infinitude do Universo.
Aníbal Carvalho
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Maravilhas Históricas de Portugal
Portugal ao longo dos séculos foi criando uma memória impar no seu património.
Hoje podemos verificar que, pelo menos alguns desses patrimónios, não estão tão bem preservados quanto isso. No entanto outros continuam a ser sinal do passado e, apesar de alguma desertificação de que o interior do país padece, projectam o futuro com esperança.
Porque o património nos ajuda a conhecer melhor quem somos aqui deixo a possibilidade de acederem a esse património, localizado nas Aldeias Históricas de Portugal.
Vejam como ficam bem informados. Eu fiquei.
Aníbal Carvalho
Hoje podemos verificar que, pelo menos alguns desses patrimónios, não estão tão bem preservados quanto isso. No entanto outros continuam a ser sinal do passado e, apesar de alguma desertificação de que o interior do país padece, projectam o futuro com esperança.
Porque o património nos ajuda a conhecer melhor quem somos aqui deixo a possibilidade de acederem a esse património, localizado nas Aldeias Históricas de Portugal.
Vejam como ficam bem informados. Eu fiquei.
Aníbal Carvalho
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Para onde vamos afinal?
Em 1974, o grande poeta e escritor Miguel Torga dizia no seu Diário, de 10 de Julho:
"O afinco com que esta civilização se quer desacreditar e destruir! Envergonhada, no fundo, da consciência que tem dos próprios pergaminhos, morbidamente apostada na denúncia casuística das suas motivações originais, tanto se desmistificou, tanta psicanálise fez de si, que acabou por ficar sem mitos, sem crenças, sem valores e sem pé na vida."
Hoje, passados mais trinta e cinco anos, como estamos?
Continuamos sem crenças, sem valores e sem pé para a vida.
Quanto tempo mais teremos de esperar?
Aníbal Carvalho
"O afinco com que esta civilização se quer desacreditar e destruir! Envergonhada, no fundo, da consciência que tem dos próprios pergaminhos, morbidamente apostada na denúncia casuística das suas motivações originais, tanto se desmistificou, tanta psicanálise fez de si, que acabou por ficar sem mitos, sem crenças, sem valores e sem pé na vida."
Hoje, passados mais trinta e cinco anos, como estamos?
Continuamos sem crenças, sem valores e sem pé para a vida.
Quanto tempo mais teremos de esperar?
Aníbal Carvalho
terça-feira, 7 de abril de 2009
Viver, é arriscar.
"Temer o amor é temer a vida, e aqueles que temem a vida já estão praticamente mortos."
( Bertrand Russell )
( Bertrand Russell )
É urgente agir.
"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."
( Albert Einstein
( Albert Einstein
quarta-feira, 1 de abril de 2009
As Crianças e o Amor
Como as crianças vêem o amor.
Muitas vezes, nós os adultos, temos medo e até vergonha de falar de amor. No entanto o amor é algo tão sublime e tão universal que todos o procuramos, ainda que, muitas vezes, o tratemos mal.
Não resisti a esta espantosa sabedoria sobre o amor manifestada por algumas crianças.
Como seríamos diferentes, e como o mundo seria melhor, se o víssemos com os mesmos olhos com que estas crianças o olham.
Com o devido respeito aqui deixo os seus testemunhos:
Aníbal Carvalho
Um grupo de profissionais colocou esta questão a um conjunto de crianças entre os 4 e os 8 anos: «Qual é o significado do amor?»
Vejamos as suas respostas:
«Quando a minha avó ficou com artrite, não se podia dobrar para pintar as unhas dos dedos dos pés. Portanto o meu avô faz sempre isso por ela, mesmo quando apanhou, também, artrite nas mãos. Isso é o amor.»Rebeca, 8 anos
«Quando alguém te ama, a maneira como pronuncia o teu nome é diferente. Tu sentes que o teu nome está seguro na boca dessa pessoa.» Billy, 4 anos
«O amor é quando uma rapariga põe perfume e um rapaz põe colónia da barba e vão sair e se cheiram um ao outro.» Karl, 5 anos
«O amor é quando vais comer fora e dás grande parte das tuas batatas fritas a alguém, sem a obrigares a darem-te das dele.» Chrissy, 6 anos
«O amor é o que te faz sorrir quando estás cansado.» Terri, 4 anos
«O amor é quando a minha mamã faz café ao meu papá e bebe um golinho antes de lho dar, para ter a certeza de que o sabor está bom.» Danny, 7 anos
«O amor é estar sempre a dar beijinhos. E, depois, quando já estás cansado dos beijinhos, ainda queres estar ao pé daquela pessoa e falar com ela. O meu pai e a minha mãe são assim. Eles são um bocado nojentos quando se beijam.» Emily, 8 anos
«O amor é aquilo que está contigo na sala, no Natal, se parares de abrir os presentes e escutares com atenção.» Bobby, 7 anos
«Se queres aprender mais sobre o amor, deves começar por um amigo que odeies.» Nikka,
6 anos
«O amor é quando dizes a um rapaz que gostas da camisa dele e, depois, ele usa-a todos os dias.»
Noelle, 7 anos
«O amor é quando um velhinho e uma velhinha ainda são amigos, mesmo depois de se conhecerem muito bem.» (nem Sócrates, Descartes ou Freud diriam algo mais certo...)
Tommy, 6 anos
«Durante o meu recital de piano, eu estava no palco e sentia-me apavorada. Olhei para todas as pessoas que estavam a olhar para mim, e reparei no meu pai que estava a acenar-me e a sorrir. Era a única pessoa a fazer aquilo. O medo desapareceu» Cindy, 8 anos
«A minha mãe ama-me mais do que ninguém. Não vês mais ninguém a dar-me beijinhos para dormir.» Clare, 6 anos
«Amor é quando a mamã dá ao papá o melhor pedaço da galinha.» Elaine, 5 anos
«Amor é quando a mamã vê o papá bem cheiroso e arranjadinho e diz que ele ainda é mais bonito do que o Robert Redford.» Chris, 7 anos
«Amor é quando o teu cãozinho te lambe a cara toda, apesar de o teres deixado sozinho todo o dia.» Mary Ann, 4 anos
«Eu sei que a minha irmã mais velha me ama, porque me dá todas as roupas usadas e tem de ir comprar outras.» Lauren, 4 anos
«Quando amas alguém, as tuas pestanas andam para cima e para baixo e saem estrelinhas de ti.» (quanta arte!) Karen, 7 anos
«Amor é quando a mamã vê o papá na casa de banho e não acha isso indecente.» Mark, 6 anos
«Nunca devemos dizer 'Amo-te', a menos que seja mesmo verdade. Mas se é mesmo verdade, devemos dizer muitas vezes. As pessoas esquecem-se.» Jessica, 8 anos
E a última? O autor e conferencista Leo Buscaglia, falou de um concurso em que ele teve de ser júri. O objectivo era encontrar a criança mais cuidadosa.
A vencedora foi um rapazinho de quatro anos, cujo vizinho era um velhote que perdera recentemente a sua esposa. Depois de ter visto o senhor a chorar, o menino foi ao quintal do velhote, subiu para o seu colo e sentou-se. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, o rapazinho disse: «Nada, só o ajudei a chorar.»
Muitas vezes, nós os adultos, temos medo e até vergonha de falar de amor. No entanto o amor é algo tão sublime e tão universal que todos o procuramos, ainda que, muitas vezes, o tratemos mal.
Não resisti a esta espantosa sabedoria sobre o amor manifestada por algumas crianças.
Como seríamos diferentes, e como o mundo seria melhor, se o víssemos com os mesmos olhos com que estas crianças o olham.
Com o devido respeito aqui deixo os seus testemunhos:
Aníbal Carvalho
Um grupo de profissionais colocou esta questão a um conjunto de crianças entre os 4 e os 8 anos: «Qual é o significado do amor?»
Vejamos as suas respostas:
«Quando a minha avó ficou com artrite, não se podia dobrar para pintar as unhas dos dedos dos pés. Portanto o meu avô faz sempre isso por ela, mesmo quando apanhou, também, artrite nas mãos. Isso é o amor.»Rebeca, 8 anos
«Quando alguém te ama, a maneira como pronuncia o teu nome é diferente. Tu sentes que o teu nome está seguro na boca dessa pessoa.» Billy, 4 anos
«O amor é quando uma rapariga põe perfume e um rapaz põe colónia da barba e vão sair e se cheiram um ao outro.» Karl, 5 anos
«O amor é quando vais comer fora e dás grande parte das tuas batatas fritas a alguém, sem a obrigares a darem-te das dele.» Chrissy, 6 anos
«O amor é o que te faz sorrir quando estás cansado.» Terri, 4 anos
«O amor é quando a minha mamã faz café ao meu papá e bebe um golinho antes de lho dar, para ter a certeza de que o sabor está bom.» Danny, 7 anos
«O amor é estar sempre a dar beijinhos. E, depois, quando já estás cansado dos beijinhos, ainda queres estar ao pé daquela pessoa e falar com ela. O meu pai e a minha mãe são assim. Eles são um bocado nojentos quando se beijam.» Emily, 8 anos
«O amor é aquilo que está contigo na sala, no Natal, se parares de abrir os presentes e escutares com atenção.» Bobby, 7 anos
«Se queres aprender mais sobre o amor, deves começar por um amigo que odeies.» Nikka,
6 anos
«O amor é quando dizes a um rapaz que gostas da camisa dele e, depois, ele usa-a todos os dias.»
Noelle, 7 anos
«O amor é quando um velhinho e uma velhinha ainda são amigos, mesmo depois de se conhecerem muito bem.» (nem Sócrates, Descartes ou Freud diriam algo mais certo...)
Tommy, 6 anos
«Durante o meu recital de piano, eu estava no palco e sentia-me apavorada. Olhei para todas as pessoas que estavam a olhar para mim, e reparei no meu pai que estava a acenar-me e a sorrir. Era a única pessoa a fazer aquilo. O medo desapareceu» Cindy, 8 anos
«A minha mãe ama-me mais do que ninguém. Não vês mais ninguém a dar-me beijinhos para dormir.» Clare, 6 anos
«Amor é quando a mamã dá ao papá o melhor pedaço da galinha.» Elaine, 5 anos
«Amor é quando a mamã vê o papá bem cheiroso e arranjadinho e diz que ele ainda é mais bonito do que o Robert Redford.» Chris, 7 anos
«Amor é quando o teu cãozinho te lambe a cara toda, apesar de o teres deixado sozinho todo o dia.» Mary Ann, 4 anos
«Eu sei que a minha irmã mais velha me ama, porque me dá todas as roupas usadas e tem de ir comprar outras.» Lauren, 4 anos
«Quando amas alguém, as tuas pestanas andam para cima e para baixo e saem estrelinhas de ti.» (quanta arte!) Karen, 7 anos
«Amor é quando a mamã vê o papá na casa de banho e não acha isso indecente.» Mark, 6 anos
«Nunca devemos dizer 'Amo-te', a menos que seja mesmo verdade. Mas se é mesmo verdade, devemos dizer muitas vezes. As pessoas esquecem-se.» Jessica, 8 anos
E a última? O autor e conferencista Leo Buscaglia, falou de um concurso em que ele teve de ser júri. O objectivo era encontrar a criança mais cuidadosa.
A vencedora foi um rapazinho de quatro anos, cujo vizinho era um velhote que perdera recentemente a sua esposa. Depois de ter visto o senhor a chorar, o menino foi ao quintal do velhote, subiu para o seu colo e sentou-se. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, o rapazinho disse: «Nada, só o ajudei a chorar.»
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